Perguntas que não se calam, são respondidas pela diretoria do clube
(matéria produzida pelo Fala Galícia n.83)
Buscando elucidar as dúvidas que pairam sobre as negociações envolvendo parte do terreno do Clube Espanhol, o "Fala Galícia" levou à presidência da instituição as perguntas mais freqüentes feitas pelos sócios, visando esclarecer a comunidade hispânica e a sociedade baiana, quanto ao futuro do clube.
1- Por que essa diretoria, juntamente com o Conselho Deliberativo, decidiu vender parte da área do clube?
Com muitas dívidas acumuladas de gestões anteriores, o Centro Espanhol se viu obrigado a se desfazer de um terreno onde não havia qualquer edificação, para regularizar suas finanças e não ter o mesmo destino de outros clubes, que fecharam suas portas, reduziram seus espaços ocupados e muitos deles foram transformados em parques públicos.
2- Por que vender 16.000m² de terreno do clube, se 10.000m² não edificados dariam para saldar a dívida de R$16.000.000,00 e ainda sobrariam R$4.000.000,00?
Pelo fato de que a empresa interessada não concordou em adquirir apenas os 10.400m², pois, após levantamento técnico da área, ficou constatado que, ao serem retirados 3.500m² de área de marinha (não edificada) e 2.700m² de área de acesso, restaria tão somente uma área de 4.200m² e com as restrições expressas no PDDU o espaço não daria para viabilizar tecnicamente e financeiramente o empreendimento. Vale lembrar que nessa oportunidade nenhuma outra proposta surgiu.
3- Por que os sócios não foram informados do que estava acontecendo?
Após a renúncia de dois presidentes eleitos de administrações passadas, a diretoria atual adotou medidas de ordem administrativa e financeira, com a finalidade de amenizar a crise. Desse período para cá, deu-se conhecimento ao Conselho e ao corpo de associados da situação caótica das finanças do clube, sendo público e notório, através do noticiário da imprensa, dos atrasos de pagamento de salários e das ações movidas nas diversas esferas judiciais, como foi a quase interdição do Reveillon de 2007/2008, quando a sede foi parcialmente lacrada pela Justiça do Trabalho. Naqueles momentos, muitos dos que hoje se dizem possíveis "salvadores do clube", não pagavam a taxa de manutenção, permanecendo na comodidade dos seus lares, enquanto os diretores atuais trabalhavam pela manutenção e sobrevivência da entidade.
4- Por que a dívida será paga pelo consórcio comprador e não pela diretoria do clube, e por que não renegociar o passivo, utilizando o programa REFIS, criado pelo governo para beneficiar as empresas com dívidas nas diversas esferas tributárias?
As dívidas estão sendo negociadas pela diretoria do clube, utilizando os benefícios do REFIS. Contudo, os pagamentos estão sendo efetivados pelo consórcio comprador, que efetua os depósitos em bancos, repassando as guias e recibos ao clube para posterior prestação de contas, não só ao Conselho, como em assembléia específica a ser convocada para esse fim. Essa medida foi adotada visando dar transparência à negociação e enquanto não forem saldados todos os débitos judiciais.
5- A taxa de ocupação do futuro complexo, envolvendo hotel e prédio de apartamentos, está dentro do que prevê o PDDU para o terreno vendido ao consórcio comprador?
O empreendimento total está estabelecido em três polígonos que, juntos entre si, completam a área total de terreno. Contudo, cada um desses polígonos tem sua área definida com taxa de ocupação própria. Embora todo o complexo faça parte de um conjunto imobiliário, todos eles, incluindo a área restrita ao clube, se constituem em espaços totalmente independentes.
6- Por que comentam que a cobertura dos dois prédios, que fazem parte da estrutura do novo clube, seria de acesso público?
O projeto é muito claro. Basta verificar as plantas ou a maquete, que se encontram em exposição no clube, para constatar que serão construídas duas guaritas de controle do acesso ao Centro Espanhol. E, se observar melhor, notará que essas guaritas, que ficam sobre as garagens, estão separadas por um fosso de 3m de largura e 5m de profundidade dos prédios que fazem parte da estrutura do futuro clube.
7- Por que o novo clube tem que ser construído pelo consórcio que comprou uma parte do terreno, já que existem tantas construtoras bem sucedidas e competentes no mercado e muitas delas pertencem a conselheiros e associados do clube?
Em reunião do Conselho, o presidente da diretoria em exercício, Humberto Campos Peso, apresentou aos conselheiros, alguns deles empresários do setor da construção civil, o projeto de edificação do novo clube, com o preço cotado e contratado pelo consórcio comprador do terreno (fato registrado em ata). Todavia, nenhum deles mostrou interesse no negócio. A oferta se repetiu em outras oportunidades, tendo em vista que a diretoria do Centro Espanhol gostaria que as obras fossem entregues a empresas administradas por pessoas vinculadas ao clube e à coletividade espanhola. Pois, imbuídos pelo sentimento de carinho que sentem por essa casa, teriam uma motivação a mais para concretizar esse empreendimento com mais dedicação.
8- Por que alguns associados se mostram contrários à realização do novo empreendimento, e a manutenção de sua bela sede na orla marítima de Salvador, se o objetivo maior é preservar essa agremiação que representa a garra do emigrante espanhol e que tem como finalidade maior a preservação dessa cultura?
Essa campanha é feita por algumas pessoas que nunca se mostraram dispostas em colaborar quando o clube estava para fechar as portas por inadimplência e com dívidas herdadas do passado. Até então, muitos desses opositores adotavam uma posição cômoda e indiferente, e hoje manifestam insatisfação com as negociações realizadas pela diretoria e o Conselho, mas não apresentam nenhuma solução plausível para mudar o que até então foi realizado.
9- Durante a realização das obras o clube vai deixar de oferecer seus serviços aos associados, e nesse período será obrigatório o pagamento da taxa de manutenção?
A diretoria, juntamente com o consórcio comprador, está elaborando um organograma de obras, que será divulgado oportunamente, estabelecendo as etapas em que os setores do clube serão desmobilizados, de forma gradativa, a fim de não interromper durante toda a obra a freqüência dos sócios. O pagamento da taxa de manutenção não será obrigatório no período em que o clube estiver totalmente desativado.
Continuaremos neste espaço a responder as perguntas dos associados, que também podem procurar os membros da diretoria, para quaisquer esclarecimentos, antes de tomarem uma posição que não condiz com a realidade e que possa atrasar o processo de construção do novo clube. |